Análise de Dados com RuPaul

Inspirado pelo programa Next Top Model Superstar, RuPaul Charles é o criador e jurado principal do programa voltado para enaltecer a Cultura e a Arte Drag Queen na TV Norte Americana. RuPaul’s Drag Race (2009) é um reality show de competições e apresenta ao mundo a Next Drag Superstar, famoso bordão do programa para classificar a Drag Queen vencedora.

Parte do ‘boom’ que a Cultura Drag Queen vem ganhando nas mídias sociais deve-se ao programa, pois são nas plataformas (Facebook, Twitter, Instagram, Tumblr, entre outras) que os espectadores comentam os episódios, compartilham memes com os momentos marcantes e/ou criam conteúdos de reações envolvendo as participantes, os jurados e até mesmo os convidados para escolher a melhor participante dos episódios.

Porém, foi na quarta temporada (2012) que as mídias sociais do programa foram oficialmente divulgadas para participações do público online, durante os quadros e parcialidade na votação para o “Grand Finale”. E é a partir daqui que a conversa fica interessante, pois percebemos que atualmente é quase impossível criar conteúdo sem conhecer os gostos, rejeições e até as aspirações do público online, até mesmo se tratando de conteúdo para a TV – já que foi com essa estratégia que o programa agregou mais marcas patrocinadoras e público. Isto faz parte de um longo histórico de uso de dados de mídias sociais para pautar estratégias da TV: Henry Jenkins cita em Cultura da Convergência o caso da equipe do reality show  Survivor que já em 2003 – 14 anos atrás – analisava comunidades de spoilers do programa.

Destacamos hoje aqui o blog AnalRPDR, criado a partir da paixão de uma fã pelo RuPaul’s Drag Race, Teresa Demel, Cientista de Dados e especialista de estratégias do comportamento do consumidor. O blog, que começou em 2014, recebe hoje em dia cerca de 5.000 a 7.000 visualizações semanais por quem está dentro do ‘RuPauliverse’ (“Universo RuPaul” na tradução livre).

O propósito do blog é analisar o aumento da popularidade das Drags durante o programa e destacar, por meio dos resultados, a possível próxima Drag Super Estrela. Estas analises são feitas através do aumento de seguidores nos perfis pessoais das próprias Drag Queens e a quantidade de menções realizadas por terceiros, referente às participantes e suas atitudes durante os episódios. Os dados são coletados via Facebook, Twitter e Instagram, e a tabulação é realizada sempre após os términos dos episódios, como consta no blog – que também informa não ser um trabalho cientifico, mas um meio para entender as relações do público online que semanalmente assiste ansiosamente e interage com o programa, gerando audiência crescente.

Atualmente o blog é visualmente mais atraente, pois aderiu aos memes que se tornam febre entre os usuários e expõe as percepções dos episódios e atitudes boas ou ruins das participantes. Já em relação aos dados, podemos observar a seriedade do assunto, de acordo com a imagem abaixo, pois mostra as porcentagens do crescimento de seguidores (mais público!), por episódios, nos perfis do Instagram das Drags, que não tinham esta quantidade de fãs antes do programa. Como se pode observar, a Valentina agregou na última semana a quantia de 411 mil e a Farrah de 328 mil seguidores, sendo elas consideradas as mais populares até agora, como desenhado no gráfico a seguir.

 

Este é um dos casos de sucesso em relação ao bom aproveitamento dos dados gerados no universo online para engajar o público em programas televisivos, e está sendo cada vez mais frequente as Redes de Televisão agregarem ao portfólio de produtos os próprios canais de stream com os conteúdos feitos para a TV, como mostra o estudo Sinal Aberto para o Streaming realizado pelo Estadão. E mais do que criar streams e conteúdo, o que importa, no final das contas, é criar conteúdo relevante e que engaje o público. Afinal RuPaul’s Drag Race começou em um galpão e hoje é um dos programas mais engajados nas mídias sociais e um dos mais bem visto entre os programas televisivos, pois entendeu a importância do público e soube se apropriar dos dados disponíveis na rede para agregar marcas patrocinadoras.

Tanto os produtos quanto as narrativas sobre diferentes populações em busca de representações diversas na mídia estão em crescimento no mercado. Em breve terá lugar em São Paulo e Rio de Janeiro as primeiras edições do curso Diversidade e Dados nas Mídias Sociais, que pretende ajudar analistas, planners e criativos a usar insights para entender alteridades e comunidades diversas, assim como produzir dados e informações a partir de seus lugares de fala e experiências.

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