Etnografia para Entender Culturas na Era da Informação

Artigo escrito pela prof. Débora Zanini, responsável pelo curso “Etnografia em Mídias Sociais

Não há como se negar: vivemos uma nova era.

Há quem chame apenas de ‘sociedade pós industrial’, ou moderna. Há também quem a chame de ‘era do conhecimento’, ou ‘do saber’.

O que se sabe, porém, é que desde os anos 80 a humanidade entrou em uma época de mudanças radicais nunca vistas antes: se nos séculos passados a mudança radical foi a agricultura, depois a indústria, hoje estamos vivenciando o início da Era da Comunicação / Informação.

Nasce, com ela, um novo modo de viver, de atividade humana, de entendimento humano, comportamento, novas formas de emprego, de rendimentos e, principalmente, uma nova forma de poder.

“O que domina o saber domina o mundo”, COMBLIN, 2006.

Distâncias físicas não são mais limitantes, concepção e percepção de tempo mudaram completamente (e como!), culturas se mesclam mais rapidamente e as formas de comunicação humana surgem e se transformam em uma velocidade assustadora.

A Era da Informação constitui o novo momento histórico em que a base de todas as relações se estabelece através da informação e da sua capacidade de processamento e de geração de conhecimentos. A este fenômeno Castells (1999) denomina “sociedade em rede”, que tem como base principal a apropriação da Internet com seus usos e aspectos incorporados pelo sistema capitalista.

Se antes, por exemplo, a comunicação se dava apenas verbalmente,  não-verbalmente e gestualmente, hoje conhecemos a comunicação mediada (o processo de comunicação em que está envolvido algum tipo de aparato técnico que intermedia os locutores). Ora, se os componentes do processo de comunicação se dão por: o emissor da mensagem, o receptor, a mensagem em si, o canal de propagação, o meio de comunicação, a resposta e o ambiente onde o processo comunicativo acontece; qualquer mudança nestas variáveis tem muito impacto no processo de comunicação como um todo.

“A possibilidade de participação e a exclusão do universo digital, integrando-se ao processamento de dados e à geração de conhecimentos, ou mesmo estando à margem dessa dinâmica, afeta, sobretudo, a relação humana em que a comunicação se faz atuante, perpassando os aspectos antropológico, social e mesmo filosófico. São linguagens, usos, percepções sensoriais, novas identidades formadas e trocas simbólicas que estão emaranhadas em rede, que não descarta nem mesmo o aspecto econômico dentro dessas novas relações. Do ponto de vista da economia, a rede trouxe mudanças profundas à sociedade, redefinindo as categorizações de Divisão Internacional do Trabalho (DIT) entre os países e as economias.” (SIMÕES, 2009)

Dentro da mesma lógica da rede, essa congregação forma uma nova cultura que Lévy denomina de cultura do ciberespaço, ou “cibercultura”:

“O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.” (LÉVY, 1999, p.17).

E, dessa forma, não é à toa que estes temas são de grande interesse de estudiosos atuais, sejam eles das áreas das ciências sociais, comunicação, jornalismo, psicologia, marketing, entre vários outros.

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