Mapeamento de Públicos somado à Análise de Redes Sociais

por Taís Oliveira*

Quando o assunto é mapeamento de públicos a grande referência que vem em mente é o Professor Dr. Fabio França que há anos vem estudando e aperfeiçoando a teoria de Públicos. Aliás, não somente a teoria, mas também os processos práticos de mapeamento e conceituação lógica dos públicos das organizações.

Ao usar o termo Públicos estamos nos referindo aos diversos relacionamentos de uma organização e não somente ao consumidor final ou aos colaboradores, como comumente são focadas as estratégias de comunicação. Mapear os Públicos é basicamente listar todos esses relacionamentos e classificá-los de forma lógica evidenciando tipo, objetivos e expectativas da organização para com os Públicos e vice-versa. Para França (2012, p. 116), “para manter a eficiência da comunicação a empresa precisa […] estabelecer políticas de relacionamento com cada público […] ao se relacionar com os públicos, a empresa define o tipo, os objetivos e as expectativas em relação a eles, o que significa a particularização ou a segmentação do que determinará a relação efetiva com eles”.

Ou seja, a organização está no centro das relações e dentro de cada grupo de Públicos mapeados há outras relações intrínsecas, das quais é possível analisar a partir de uma estrutura de rede e dessa forma observar, visualizar e sistematizar comportamentos, relações, conversações e fatos sociais de um determinado aglomerado de pessoas (nós) e suas relações (laços), estudos que resultarão em conhecimentos (SILVA; STABILE, 2016) que podem direcionar estratégias de comunicação para cada público.

Por exemplo, dentro do grupo Colaboradores é possível mapear quem são essas pessoas, de quais setores eles são, quais períodos exercem suas funções e como essas características de se relacionam entre si. Já no grupo Governo digamos que a lista de órgãos dos quais a organização precisa manter contato burocrático são a Prefeitura Municipal, o Governo Estadual e as associações de classe – como esses órgãos se relacionam, existe alguma interdependência entre eles e até que ponto meu processo de comunicação para esse grupo pode ser otimizado?

Logo, podemos entender o Mapeamento de Públicos e a Análise de Redes Sociais como processos complementares, uma vez que o entendimento dos detalhes de cada nó se aprofunda com a delimitação (Colaboradores > Colaboradores do setor Administrativo > Estagiários do setor Administrativo), dessa forma é possível alcançar uma maior assertividade e personalização nas propostas de estratégias comunicacionais.

Um exemplo real é o trabalho desenvolvido por Antonio Virgílio B. Bastos e Mariana Viana Santos da UFBA sobre Redes sociais informais e compartilhamento de significados sobre mudança organizacional onde foram aplicados questionários aos colaboradores em uma organização pública que passava pelo processo de privatização e levantados as relações de amizade, confiança e informação em suas redes informais. A partir dos resultados foi possível determinar, entre outros fatores, atores importantes na tessitura da rede, como os formadores de opinião do grupo de colaboradores que, já imaginando uma possível estratégia, poderiam ser conexões essenciais em ações para amenizar os atritos internos durante a transição de setor da organização.

Bibliografia

FRANÇA, Fabio. Públicos – como identificá-los em nova visão estratégica: business relationship. 3ª ed. São Caetano do Sul: Yendis, 2012.

SILVA, Tarcízio; STABILE, Max (org). Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: Metodologias, aplicações e inovações. São Paulo: Uva Limão, 2016.

 

* Taís Oliveira é Relações Públicas, mestranda pela UFABC e participante do curso de Análise de Redes em Mídias Sociais do IBPAD.

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