O que a rede diz sobre Relações Públicas na América Latina?

por Taís Oliveira*

Hoje é Dia Interamericano das Relações Públicas, aproveitando a data quis fazer uma experimentação para tentar entender como se dão as movimentações em torno da profissão na América Latina, para tanto optei pela Análise de Redes Sociais a partir de páginas no Facebook.

Para obter as páginas de referência pesquisei via Netvizz as que continham os termos Alarp (Associação Latino-Americana de Relações Públicas), Relaciones Publicas e RRPP, pesquisa que resultou em 406 páginas. Limpei-as, pois vieram algumas da Espanha e outras que não tinham nenhuma relação com o tema, e fiz um ranking de 50 páginas com mais curtidas entre os termos “Relaciones Publicas” e “RRPP” e mantive todas as da Alarp, que são poucas.

Em seguida baixei a rede de cada uma dela também via Netvizz e exportei algumas separadas pelo termo e outras juntas (merge) no Gephi. A primeira curiosidade interessante de se observar é que a rede das redes Alarp, apesar de ser a associação que congrega a profissão em toda a América, quase não tem outras conexões, nem mesmo entre suas regionais. E as páginas mais conectadas são as relacionadas ao Brasil.

Rede com 14 nós e 6 arestas

Ao perceber isso, lembrei da Confiarp (Confederação Interamericana de Relações Públicas), órgão que tem certa similaridade de atuação com a Alarp. Acrescentei sua página principal (e única, na verdade) e a do Colegio de Relacionistas de Venezuela – Miembro Titular de la Confiarp para verificar se ocorria alguma mudança na rede. Só a página da Confiarp curte outras 213 páginas (grau de saída), que na imagem abaixo é o nó azul central e os nós fora da rede sem conexão são as páginas Alarp.

Rede com 235 nós e 419 arestas

Na rede de RRPP e Relaciones Publicas juntas temos 84 nós e 152 arestas, o curioso aqui é que tem muita página relacionada à área de eventos e referências diretas às figuras pessoais dos promotores de festas, sobretudo na Argentina. Eu realmente não sei como os vizinhos lidam com isso, mas aqui no Brasil certamente entraria naquele velho estigma de “RP só faz festinha” que a maioria dos RPs não vê com bons olhos. A grande parte das categorias dizem respeito a Dance e Night Club, Figura Pública, Planejador de Eventos, Entretenimento, Música, entre outros. Pode ser apenas um equívoco do emprego dos termos (aqui no Brasil é bem comum, infelizmente) ou de fato a área de eventos é o cargo chefe nos demais países latino-americanos.

Os dois nós predominantes são promotores de eventos

Visão geral do Gephi

Já na rede brasileira gerada a partir das páginas dos movimentos pela valorização da profissão em janeiro de 2017, temos o seguinte cenário: são 281 nós e 1.284 arestas, os nós vermelhos representam as páginas categorizadas em Mídia (11,39%), os azuis escuros são Comunidades (11,03%), laranja são as de categoria Educação (10,68%), os de cor preta são Empresas (6,41%) e os de cor marrom são as Universidades (6,41%).

Dentre os principais nós da rede, percebemos que os cinco com maior grau de entrada são respectivamente Todo Mundo Precisa de um RP (preto), RP Brasil (azul), Versátil RP (verde), Blog RP (verde) e RP Manaus (cinza) e de maior grau saída são Fantástico Mundo RP (amarelo), Fala Mais, RP (cinza), Versátil RP (verde), RP + RP (verde) e RP Manaus (cinza), os nós mais evidentes na imagem abaixo. É importante lembrar que a rede se dá entre páginas e não há, nessa visualização ao menos, nenhuma métrica relacionada ao usuário.

Rede baseada na variável grau (soma de saída e entrada)

O Conferp (Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas) encontra-se quase no meio da rede e tem grau de entrada 31 e de saída 46. Do meu ponto de vista isso demonstra um certo envolvimento positivo, sobretudo com os blogs e páginas que abordam temáticas da área, ainda mais se compararmos com a Alarp que tem uma atuação nas mídias sociais aparentemente isolada. Dentre as páginas com grau de entrada baixo é possível observar uma estratificação regional, como ABRH RJ, Diário Gaúcho, Fundação Amazonas Sustentável, TEDx São Paulo, Prefeitura de Curitiba entre outras, que fazem conexão com os movimentos de suas respectivas proximidades geográficas.

Visão geral do Gephi

Nesse breve panorama é possível perceber como as movimentações em torno das Relações Públicas no Brasil é muito mais massiva e de fato coletiva, vide a quantidade de nós com expressivo grau de saída e entrada e a reciprocidade existente entre cada um deles. Os nossos órgãos representativos ou associativos também demonstram presença e acompanhamento do que se pauta nas mídias sociais em relação à categoria.
Seria uma característica do contexto brasileiro em decorrência da síndrome do “ninguém sabe o que é RP” e o boom dos movimentos de valorização? Ou os brasileiros são mais sagazes no que diz respeito à utilização da plataforma e cada página e movimento construiu conscientemente seu capital social?

Imagino que esses questionamentos e observações são bons temperos para debates frutíferos entre os relações-públicas e os relaciones publicas. Por ora, basta-nos celebrar a data de hoje e seguir empenhados para o desenvolvimento da categoria.

* Taís Oliveira é relações-públicas, mestranda pela UFABC e participante do curso de
Análise de Redes em Mídias Sociais do IBPAD.

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