Seminário sobre Análise de Dados na Administração Pública

Brasil100DigitalAcontecerá nos dias 25 e 26 de agosto o 2º Seminário sobre Análise de Dados na Administração Pública, organizado pelo Tribunal de Contas da União e o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. O evento é gratuito e é uma excelente oportunidade para conhecer diversos trabalhos de análise de dados na administração pública.

 

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Nós fizemos algumas perguntas para o Dr. Rommel N. Carvalho, cientista de dados chefe do Observatório da Despesa Pública (ODP) do Ministério da Transparência, para entender um pouco mais do evento, confira:

 

IBPAD – Como surgiu a ideia do evento e qual o seu propósito para a Administração Pública?
Rommel CarvalhoRommel: Desde que voltei do meu doutorado e comecei a trabalhar na Diretoria de Pesquisas e Informações Estratégicas (DIE) do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (MTFC) em 2012 que venho pensando em organizar um evento de análise e mineração de dados focado no governo.

Ao ministrar minha primeira turma de Mineração de Dados e Textos no Mestrado Profissional em Computação Aplicada  da Universidade de Brasília (UnB) em 2014 e ver a quantidade de excelentes trabalhos que foram produzidos em apenas 8 semanas de aula, que percebi que precisava organizar logo esse evento e mostrar o quanto o governo tinha a ganhar se realmente investisse nessa área.

No entanto, foi apenas em 2015 que essa vontade se tornou realidade, quando ministrei cursos de análise e mineração de dados para o Tribunal de Contas da União (TCU). A parceria com o TCU foi excelente e o momento não poderia ser melhor, pois o TCU havia recentemente definido como prioridade o uso de análise e mineração de dados em suas atividades de auditoria.

Foi então que decidimos unir esforços e realizar o Brasil 100% Digital: 1° Seminário sobre Análise de Dados na Administração Pública.

 

IBPAD – Qual foi a evolução do ano passado em relação a esse ano?

Rommel:  Na primeira versão do evento, nós contamos com a rede de contatos dos organizadores do evento. Tivemos que correr atrás de trabalhos de análise e mineração de dados que estavam sendo feitos pelo governo. Desde o começo, decidimos que o foco seria na apresentação de estudos de casos reais e feitos pelo próprio governo brasileiro, para que ficasse claro que esse tipo de projeto não está restrito a empresas como Google e Facebook e que não era preciso contratar uma consultoria de milhões para se ter um projeto de sucesso nessa área.

No entanto, encontrar esses projetos foi mais difícil que o esperado e boa parte das apresentações do ano passado foram de alunos do Mestrado Profissional em Computação Aplicada (PPCA) da UnB e de servidores do MTFC e do TCU, organizadores do evento.

Felizmente, um ano depois e de muita divulgação dessa área no governo, resolvemos fazer uma chamada de trabalhos que consideramos um grande sucesso! Em pouco menos de um mês, recebemos mais de 70 trabalhos de todo o Brasil, dos mais diversos órgãos e estados, envolvendo temas super interessantes, o que tornou nossa tarefa de selecionar apenas 17 trabalhos (quantidade de apresentações do ano passado) muito difícil. Foi tão difícil que resolvemos “espremer” o cronograma desse ano para caber mais uma apresentação (nesse ano serão 18) e convidar mais 12 trabalhos para o que chamamos de sessões interativas, que ocorrerão durante os intervalos dos painéis, com apresentações de 10 minutos seguidas de 5 minutos para perguntas e respostas.

IBPAD – Como está evoluindo a análise de dados na administração pública? Algum fator específico contribuiu para esse aparente “salto”? 

Rommel:  Como comentei, o uso de análise de dados tem crescido drasticamente na administração pública. Basta ver que no evento do ano passado tivemos dificuldade de preencher a agenda e nesse ano tivemos que expandir a agenda incluindo as sessões interativas para não deixar excelentes trabalhos de fora do evento.

 

“Órgãos como o TCU, por exemplo, que investiram em capacitação na área, estão colhendo os frutos com projetos como o apresentado pelo servidor Edans Sandes”

 

Acredito que o evento do ano passado contribuiu bastante para esse “salto”. Além disso, percebi que vários alunos do PPCA começaram a realmente usar essas técnicas que aprenderam no mestrado em novos projetos nos seus órgãos de origem. É o caso, por exemplo, do Orlando dos Santos, do Ministério do Planejamento (MP), que apresentará o trabalho “Mineração de dados para auditoria preventiva em lançamento manuais da folha de pagamento”. Outros servidores deram continuidade ao trabalho que realizaram no projeto final do mestrado e os transformaram em sistemas que hoje se encontram em produção, como o trabalho desenvolvido pelo Ricardo Carvalho, do MTFC, que desenvolveu na DIE um sistema de mapeamento de risco de corrupção na APF, trabalho que só não será apresentado por ele por não estar na cidade nos dias do evento.

Outro fator importante e que de certa forma está associado ao sucesso vivenciado pelos alunos do mestrado da UnB é o investimento em capacitação. Órgãos como o TCU, por exemplo, que investiram em capacitação na área, estão colhendo os frutos com projetos como o apresentado pelo servidor Edans Sandes: “Extraindo o valor estimado em editais de licitações públicas”.

IBPAD – Dr Rommel, gostaria de dar algum recado para os servidores interessados no evento?

Rommel:  Não percam essa oportunidade única de conhecer os excelentes projetos que vocês podem tocar em alguns meses em seus respectivos órgãos. Tenho certeza que encontrarão soluções para problemas que vocês nem imaginavam que poderiam ser tratados. No entanto, é importante ressaltar: comece pequeno, com uma prova de conceito, e lembre-se que mais importante que comprar uma ferramenta nova, é capacitar seus servidores para que realmente entendam como usar a análise e a mineração de dados de forma adequada para que possam efetivamente revolucionar o serviço público!

 

Ficou interessado? Você pode conferir os painéis que serão apresentados no evento:

Painel: Análise de Riscos de Fraudes e Corrupção

  • Deep learning não supervisionado para detecção de lavagem de dinheiro e fraudes em exportações – Ebberth Lopes de Paula – Secretaria da Receita Federal do Brasil
  • Mineração de dados para auditoria preventiva em lançamento manuais da folha de pagamento – Orlando Oliveira dos Santos – Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
  • Análise de riscos de declarações retidas em malha fiscal utilizando redes bayesianas – Leon Sólon da Silva – Secretaria da Receita Federal do Brasil
  • Mapeamento de risco de corrupção na administração pública federal – Rommel Novaes Carvalho – Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle

Painel: Melhoria de Processos de Gestão

  • Descoberta de fluxos e análise de desempenho por meio de técnicas de mineração de processos – Orlando Oliveira dos Santos – Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
  • Modelo preditivo para apoio a análise de risco em projetos de TIC – Marcio Rodrigo Fernandes Fonseca – Câmara dos Deputados
    Predição de recuperação de operação de crédito em um banco brasileiro – Rogerio Gomes Lopes – Banco do Brasil
  • Técnicas automáticas para detecção de indícios de fraudes em licitações – Gerson da Silva Januario – Tribunal de Contas do Estado do Acre e Maxwell Guimarães de Oliveira – Universidade Federal de Campina Grande
  • Proposta de modelo de classificação de riscos de contratos públicos – Leonardo Jorge Sales – Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle
  • Priorização e seleção de processos licitatórios, dispensas e inexigibilidades para análise do TCE-GO – Vitor Gobato – Tribunal de Contas do Estado de Goiás
  • Extraindo o valor estimado em editais de licitações públicas – Edans Flávius de Oliveira Sandes – Tribunal de Contas da União

Painel: Análise e Mineração de Textos

  • Categorização de achados em auditorias de TI com modelos supervisionados e não supervisionados -Patrícia Helena Maia Alves de Andrade – Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle
  • Serviços cognitivos e machine learning para extração de informações de bases não estruturadas – Luís André Dutra e Silva – Tribunal de Contas da União
  • Identificação automática de produtos a partir de registros de compras em portais de transparência – Eduardo Soares de Paiva – Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle

Painel: Análise de Políticas Públicas e Programas Sociais

  • Bolsa família e jovens trabalhadores: análise de grandes bases de dados com abordagem de computação paralela – Aloísio Dourado Neto – Tribunal de Contas da União
  • Descobrindo um novo padrão no desempenho dos estudantes de escolas públicas no Distrito Federal – Eduardo Pires Fernandes – Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal
  • O uso de geoprocessamento para identificação de áreas carentes de escolas de ensino infantil – Pedro Godinho Verran – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

Quer saber mais sore o assunto? Confira a palestra “Análise de dados no combate à corrupção”