Cinco utilidades do Google Maps para Análise de Dados

Atualmente a plataforma Google Maps, criada em 2005, é um dos maiores repositórios de geoinformações do mundo. Utilizado diariamente por milhares de pessoas, uma das vantagens de dominar as funcionalidades dos mapas online e imagens de satélite da Google Inc. estão no fato de que a maior parte do mundo consome esse produto, o que inclui o Brasil.

Neste artigo vamos apresentar cinco utilizações possíveis para diferentes áreas científicas e em contextos brasileiros variados. Seja no Marketing Digital, no Turismo, nos Eventos, no Planejamento Territorial, nas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ou nas Ciências Ambientais, estas são dicas para destacar-se na sua análise de dados e produção de cartografia para uma pesquisa ou ação.

Zonas comerciais

Algumas pessoas não sabem, mas se você visualizar a sua cidade com Google Maps no modo principal é possível exprimir onde estão as concentrações comerciais. São manchas diferenciadas do tom de cor padrão do mapa.

No caso de Goiânia-GO, é possível observar que tanto na escala mesolocal quanto na escala microlocal do mapa, as zonas – onde estão localizados comércios (em destaque vermelho) – são coloridas diferenciadamente. Isso facilita uma tomada de decisão com base nas manchas cartográficas de uma cidade.

Horários de pico

Com a pandemia, o controle de mobilidade fez com que os gestores públicos alterassem o horário de funcionamento do acesso aos espaços públicos como parques. No caso de Salvador-BA, podemos notar que o Parque Joventino Silva (ou Parque da Cidade) foi fechado aos finais de semana, o que fez com que o fluxo de smartphones transeuntes (com GPS ativo) fosse registrado com uma alta nas quartas-feiras, um dia de baixa movimentação antes da pandemia.

Vale observar ainda a baixa permanência informada no final deste infográfico, fornecido pelo Google Maps na página geral (principal) do Parque da Cidade. As pessoas passaram a permanecer em média 45 minutos nas quartas-feiras, quando antes a permanência média era de 2 horas neste mesmo dia. Outro aspecto é a dispersão do tráfego. As pessoas passaram a ocupar o parque em novos horários, sobretudo entre as 15h e 17h. Esses fatores juntos podem ser base para tomada de decisões de uma campanha política, por exemplo.

Localidade comercial

Setores de lojas normalmente concentram-se. A identificação da localidade comercial é que faz a grande distinção de uma análise de dados granular de uma zona comercial. Vamos ao exemplo do caso do setor de moda plus size. Em uma busca pela cidade de João Pessoa-PB, a palavra-chave (keyword) “plus size” acompanhada no nome da cidade possibilitou uma listagem imediata.

Isso facilita uma pesquisa de mercado sobre a condição de acessibilidade das lojas, que podem funcionar em zonas públicas (como a rua) ou zonas privadas (como shoppings). Isso deve ser pensado relacionado ao perfil da concorrência e fornece as pistas elementares para a prática do geomarketing nas zonas comerciais da sua cidade.

Fotos de ruas

Para pesquisas dedicadas a Espaço Geográfico (e os conceitos como paisagem, região, território e lugar), o Google Street View tem tornado-se uma ferramenta de potencial criativo e crítico desde o seu lançamento em 2007.

Com o recurso de linha do tempo (destaque em vermelho), é possível visualizar como era estruturada uma rua da cidade de Recife-PE entre 2011 e 2015, período em que a capital vivia sob atos de movimentos sociais contra a privatização de espaços públicos, especialmente o caso do #OcupeEstelita que ocupou as ruas e as redes.

Nas ciências humanas e sociais, a transformação dos ambientes urbanos tem um significado aliado com as desigualdades sociais e as distinções de classe. Um exemplo é o curta-metragem Nunca é noite no mapa (2016), no qual diversas situações periféricas são narradas a partir de uma perspectiva crítica sobre o Google Maps e as representações sociais. As imagens em nível de rua podem fornecer base para diversas pesquisas e práticas, sejam elas artísticas, políticas, culturais ou sociais.

Fotos de satélites

O mapeamento dos biomas do mundo passa pela importante revolução do século XX: os satélites. Eles fornecem a base para o Google Maps ser criado a partir do Google Earth. Hoje o Earth é praticamente uma lembrança dos anos 2000, tempos da Internet com mais softwares e menos plataformas.

Hoje a aliança entre softwares livres, como QGIS e bases de dados abertos como da NASA permitem que as plataformas gratuitas para pesquisadores, como Google Earth Engine, aprofundem os resultados da comunicação entre sensores, satélites e computadores mediada por pesquisadores.

Conforme o professor da Universidade do Tennessee, Qiusheng Wu, o potencial de unir o Phyton ao QGIS via Google tem sido a chave para análises complexas. Assim cruzam-se imagens de satélite, algoritmos criados pelo pesquisador e aplicações no mundo real. Situações como mapeamento da qualidade das florestas tropicais, tão importantes para o clima global, têm sido monitoradas em projetos com essa ferramenta gratuita.

 

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