Monitoramento de mídias sociais para combater Zika em Singapura

As plataformas de mídias digitais como o Facebook e o Twitter tem evoluído em sua importância para compreensão de comportamento dos usuários. No caso da saúde pública, pode-se monitorar o que se tem falado em torno de um assunto para descobrir locais com epidemias de doenças e riscos graves de contaminação, e essa prática tem auxiliado na sua prevenção e tratamento. A partir do monitoramento de assuntos consegue-se também aproximar a população dos órgãos de saúde por meio de informações relevantes.

A pesquisa ‘What’s buzzing on your feed? Health authorities use of Facebook to combat Zika in Singapore’ analisou o caso de epidemia do Zika Vírus em Singapura, e o que foi feito nas mídias sociais para entender o comportamento dos usuários, o quanto de informação eles tinham, piadas sobre a epidemia e relatos de casos pessoais ou de pessoas próximas. O estudo explora a importância de agências públicas monitorarem as mídias sociais  para mapear as diferenças, novas descobertas e padrões em torno de epidemias, e estarem melhor preparados para agir rapidamente e prevenir uma expansão dos surtos.

Como metodologia utilizaram os dados públicos do Facebook de usuários que curtiram e comentaram na Fanpage do Ministério da Saúde (MOH) e National Environmental Agency (NEA) com o recorte temporal entre 1 de março de 2015 a 19 de setembro de 2016. Foram coletados comentários de 1057 posts do NEA, sendo 33 posts diretamente relacionados ao Zika, e 520 posts do MOH, com 35 posts relacionados ao Zika. A escolha do Facebook para análise se deu devido aos 3.6 milhões de usuários ativos, e por ser o 2º lugar em escala de importância entre as mídias digitais do país.

Além do Zika, foram categorizados comentários relacionados à dengue e ao ‘haze’ (doença ocasionada pelo excesso de poluição na Ásia, que afeta as vias respiratórias).  Em 27 de agosto, o 1º caso local de Zika foi reportado, e nas próximas semanas 381 casos foram reportados. O surto então engatilhou conversações e rumores sobre a doença e as páginas MOH e NEA engajaram o público que buscava por informações ou posicionamento dos órgãos públicos.

As categorias para organização dos dados foram divididas em:
1- Investigação e diagnóstico;
2- Prevenção e informação;
3- Tratamento ou medicação específica;
4- Novos casos e novas suspeitas;
5- Intervenção (para programas e medidas específicas que foram feitas com urgência).

Neste gráfico pode-se observar as datas em que o alcance foi maior devido aos acontecimentos do dia 1º de fevereiro em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou o Zika como um problema mundial, o dia 13 de maio – primeiro caso de Zika trazido de outro país e 27 de agosto – primeiro caso local de Zika. Também é possível observar a trajetória dos casos de dengue em comparação aos casos de Zika.

Em comparação aos três temas, o gráfico mostra o nível de engajamento durante o período estudado e demonstra uma associação direta e positiva entre o volume de alcance dos posts do Facebook e engajamento entre os 3 problemas de saúde.
Detectaram também que ‘dengue’ e ‘haze’ estão em outra categoria de saúde pública e levantam outros tipos de discussão como a sazonalidade da dengue e as medidas que poderiam ser adotadas como questões do meio ambiente e para que a saúde da população melhore. Já o Zika, causa preocupações devido ao medo do desconhecido, e à sua proliferação rápida.

No estudo descobriu-se que a fanpage do MOH era mais atrativa para o público devido a sua abordagem que trazia atualizações dos casos e dos métodos de prevenção utilizados. A estratégia de comunicação tinha como foco a transparência e disseminação das informações necessárias para que a população ajudasse a solucionar os casos e a prevenir a doença. Uma observação interessante foi a quantidade de curtidas que este conteúdo recebia em contraste com o número de comentários e compartilhamentos, o que pode significar que os usuários não queriam vincular seu perfil ao tipo de informação disseminando o conteúdo, apesar de se interessarem pelas atualizações da epidemia. Outro ponto descoberto foi que o engajamento está diretamente correlacionado aos acontecimentos e à publicidade em torno do assunto.

O estudo foi importante para demonstrar como as informações disponíveis em mídias digitais são potentes para compartilhar informações sobre saúde pública, principalmente em casos de epidemias e emergências. As mídias digitais possibilitam acesso à informação em tempo real e as conversações ajudam no monitoramento de surtos com maior agilidade. Para as agências nacionais de saúde pública foi possível também ter um contato mais próximo com os usuários, entender os anseios e medos da população para que se possa instruir e prevenir o aumento do surto da doença sem que se espalhem rumores e notícias falsas.

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