Participação política no mundo corporativo

Texto por Juliana Silva*

As novas mídias mudaram a forma de comunicação e relacionamento da sociedade em todos os âmbitos (pessoais, sociais, empresariais, governamentais, diplomáticos, etc). Isso porque as redes conectadas permitem o acesso rápido à informação, rompendo barreiras físicas e temporais, como é descrito por Pierre Lévy em “O que é virtual?”.

Na década de 1980, surgiu o conceito internet. A princípio, era para ser uma ferramenta de apoio aos EUA durante a Guerra Fria para descentralizar as informações do país, interligando os computadores em redes e para a troca de informação entre as bases militares dos Estados.

Com o tempo, as universidades começaram a utilizar as redes para trocar informações. Logo após ela expandiu para o grande público. Em 2000 houve o boom da rede.

É neste período que surgem as mídias sociais, as quais passam a ser consideradas o mais relevante advento em termos de internet até hoje. Surge um novo conceito de informação, onde você não precisa esperar a próxima edição do jornal. Ela é instantânea. Há também diversão e pertencimento nos grupos criados nestas redes, além da troca de mensagens, fotos, vídeos, áudios e localização. Uma nova cultura e costume foi criado. A necessidade de estar conectado, de que as pessoas saibam o que está fazendo, as bandeiras que defende é uma realidade. As novas mídias, então, enaltecem a característica social do homem não apenas no âmbito pessoal, mas também impactaram as relações governamentais, econômicas, sociais e políticas.

Em 2010, a primeira década das mídias digitais, começa a gerar fatos relevantes pelo globo. Há um importante fato que marca uma nova fase de sua utilização: a Primavera Árabe. Esta foi uma manifestação convocada via Facebook e Twitter que culminou na derrocada de Hosni Mubarah (Egito), Ben Ali (Tunísia) e Muammar al-Kadhafi (Líbia).

Em 2013, a insatisfação com a situação econômica e política do país ocasionou em manifestação histórica no Brasil. A manifestação teve início nas redes sociais com convocação pelo Facebook. Nem mesmo a grande mídia imaginava tamanho movimento, já que foi gerada pelas redes sociais. No entanto, essa pressão que teve inicio no meio digital e virou uma das maiores manifestações do Brasil levou a grandes impactos pressionando a classe política a agir e a colocar uma mini reforma política em pauta, bem como o impeachment da presidente Dilma. Após isso, a mídia passou a se pautar pelas redes sociais, já que não dava para fugir dela. Hoje, a imprensa trabalha de forma integrada, sempre utilizando das mídias digitais para se manter em contato com o público. [Até as novelas mudam seu enredo a depender do que o pública fala nas redes sociais].

Isto evidencia que há a atuação de novos atores no cenário sociopolítico seja em nível nacional ou internacional. Agora não há mais barreiras físicas. O acesso a informação e influência não está só nas mãos dos Estados e as relações interestatais e institucionais também precisam envolver a sociedade conectada. As redes permitiram a formação de territórios abstratos, com demandas imateriais, mas pautáveis, segundo a Teoria da Comunicação de Mattelart. Agora as pessoas se unem em torno de causas nas redes sociais e militam incansavelmente nos meios digitais. Os ativistas não são mais alguns da sociedade civil organizada que vão ao Congresso influenciar o poder, mas pessoas que gritam em defesa de suas bandeiras nas redes sociais. E esses gritos geram impactos sociais e políticos. As redes sociais hoje são ambientes a serem levados em consideração nas pautas políticas e no momento de se criar estratégias de participação politica para defesa de causas e projetos.

A ampliação do ciberespaço coloca a internet como a espinha dorsal do mundo. O ciberespaço é utilizado por atores estatais e não-estatais (empresas, organizações e movimentos) visando, principalmente, os fins político-estratégicos e que criam novos modos de praticar a defesa de causas ou participação política. A estratégia é influenciar o público digital para ganhar força e relevância e assim vencer em seu objetivo, seja ele uma causa, um projeto, uma bandeira política.

Dessa forma, as relações governamentais, institucionais e o advocacy precisam se reinventar. A influência agora não é só no legislativo e executivo, mas com a sociedade por meio das redes sociais. Porque o levante social a partir do ambiente virtual se tornou mais palpável, visto que agora todos têm voz e força de multiplicação de informação. Um exemplo atual são as eleições, onde a grande campanha (e guerra) acontece nas redes sociais. Vencerá o candidato com a militância com maior poder de propagação de informações (sejam elas falsas ou verdadeiras).

* Por Juliana Silva, cientista política e comunicadora especialista em comunicação digital. Gerente de Business Intelligence na Santafé Ideias. No IBPAD, cursou a Formação em Inteligência de Mídias Sociais e BI para Planners.

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