Por que as pesquisas eleitorais “erram” tanto?

Não é raro observar pesquisas eleitorais que colheram seus dados em períodos semelhantes chegarem a resultados diferentes. Há também casos, ainda que não tão comuns, em que as pesquisas eleitorais apresentam tendência de vitória para o candidato A  e o resultado das urnas dá vitória para o candidato B.

Nestes casos, os institutos chegam a ser considerados suspeitos de intencionalmente manipularem seus resultados. O público que consome as pesquisas pergunta o óbvio: afinal, por que as pesquisas eleitorais erram tanto?

Em primeiro lugar, é necessário compreender que as pesquisas eleitorais capturam as intenções de voto em um determinado período de tempo. Sendo, portanto, apenas um retrato do momento em que os dados foram coletados.

As mudanças nas corridas eleitorais não podem ser capturadas pelas pesquisas em tempo real. Então, por exemplo, se os dados são coletados na segunda e quarta-feira estoura um escândalo envolvendo o candidato A, provavelmente a pesquisa não representa a intenção de voto mais atualizada para aquele candidato.

Outro fator a ser esclarecido é que, além das diferenças que estão contidas na margem de erro divulgada, há também diferenças metodológicas entre as pesquisas. Portanto, muitas vezes, em termos práticos, nenhum dos institutos está errado. Simplesmente as empresas podem ter elaborado perguntas diferentes ou partiram de outras premissas. Por exemplo, uma pergunta estimulada onde é oferecida a lista com o nome dos candidatos pode ser diferente de uma questão onde o entrevistado deve responder espontaneamente em quem ele votaria. 

Para os institutos, no entanto, nem sempre as diferenças são vistas com maus olhos, pois representam uma forma de comparar resultados e recalibrar suas próprias pesquisas para obter resultados mais acurados. 

“Faz diferença bater na porta da pessoa e perguntar em quem ela vai votar em vez de fazer a mesma pergunta por telefone. Às vezes, a pessoa se sente mais à vontade para falar de temas delicados na ligação”, explica o diretor do IBPAD, André Jácomo. 

Outros exemplos de diferenças metodológicas que influenciam o resultado são: a forma como as questões são enunciadas, o ordenamento das perguntas no questionário e as formas de amostragem. Vamos analisar então algumas dessas diferenças:

1. Enunciado das questões

A forma como as questões são colocadas e até mesmo a ordem das palavras podem estimular ou desestimular as respostas dos entrevistados. Introduzir determinadas informações no corpo da pergunta, semelhantemente, pode influenciar. Perguntas como: “Dado que candidato A está a frente em todas as pesquisas eleitorais. Em quem você pretende votar nas eleições de outubro deste ano?” apresentam estímulos que podem afetar a resposta do entrevistado.

 2. Ordenamento do questionário

O ordenamento das questões pode influenciar o encadeamento lógico do pensamento  dos entrevistados e influenciar suas respostas. A pesquisa pode conduzir o entrevistado a chegar em conclusões diferentes da opinião sem a linha construída pelo questionário. 

 3. Amostragem

Em geral, assumimos que as pesquisas adotam a chamada “amostragem probabilística”. Esta forma de amostragem dá chances iguais a todos os indivíduos de figurarem na amostra. Na realidade, porém, é necessário assumir que nem sempre será possível entrevistar todos os indivíduos que foram selecionados para a amostra. Seja porque não foi possível contatá-lo por telefone ou em seu domicílio, ou seja simplesmente porque o indivíduo se recusou participar da pesquisa. Esse fenômeno é conhecido como a teoria da não-resposta e afeta a probabilidade dos indivíduos de participarem da pesquisa.

 Uma das formas de conhecer os impactos da metodologia de cada institutos são os agregadores de pesquisas. Olhar para todas pesquisas em uma única visualização de dados ajuda a entender tendências e perceber o viés de cada instituto.

“Quando eu criei o Polling Data minha ideia era visualizar em um gráfico todas as pesquisas com uma estrutura temporal, eu queria ter uma noção da dinâmica da eleição levando em conta a data em que a pesquisa foi publicada, o tamanho da amostra e qual instituto fez essa pesquisa”, conta Neale El-Dash, idealizador do agregador de pesquisas Polling Data

Segundo Jácomo, uma das principais vantagens oferecidas pelos agregadores é poder avaliar a influência das diferenças metodológicas no resultado final. “Fica mais fácil ver, por exemplo, se existe diferença de resultados entre uma pesquisa face a face e uma pesquisa telefônica”.

Relembrando que, caso tenha dúvidas sobre como uma pesquisa foi feita, é possível consultar a metodologia de todas as pesquisas eleitorais cadastradas no TSE.

Para conferir mais detalhes da conversa sobre pesquisas eleitorais, assista a live que fizemos com Neale El-Dash em nosso canal no Youtube.

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