Redes Sociais podem ajudar a prever o resultado de eleições?

Nesta última sexta-feira (05/6), o IBPAD promoveu uma conversa entre a pesquisadora Débora Zanini, professora do IBPAD e gerente de inteligência de dados da FCB, e o pesquisador Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata, sobre as diversas possibilidades de monitoramento de redes sociais e que resultados elas podem trazer.

Para Denicoli, as redes sociais são capazes de prever tendências para a política além do âmbito institucional. Diferente das pesquisas mais tradicionais, que abordamos neste texto aqui, as pesquisas digitais não apontam um retrato estático da opinião pública nas redes, elas identificam as tendências de mudança de discurso. “Aqui o que importa não é o retrato do momento, são as mudança do padrão de comportamento dos usuários”, afirma Denicoli.

O CEO da AP Exata e sua equipe têm se dedicado nos últimos anos a traçar análises nas redes sociais a partir de um monitoramento constante de diferentes plataformas e acompanhamento em 145 cidades brasileiras. Para ele, “a tradução da sociedade está sendo feita através das redes sociais […] é inevitável que isso se aprofunde, as pessoas entenderam, especialmente agora com a pandemia, que o mundo pode ser todo digital” e portanto essas análises se tornam mecanismos mais confiáveis para conhecer e interpretar a opinião pública e seus principais atores.

Denicoli ressalta a importância de uma metodologia rigorosa nas pesquisas digitais, principalmente durante a coleta de dados. É preciso escolher quais conversas e contextos devem ser monitorados. “Muitas vezes as pessoas falam nas redes e não falam nos canais oficiais, por exemplo”, comenta o empresário. A fala é uma amostra de como não é possível captar tudo que sobre o governo apenas olhando para os canais do institucionais. Existem várias formas de influenciar a gestão pública a partir das redes sociais e os pesquisadores precisam estabelecer esse debate ainda na fase inicial do projeto de pesquisa.

Monitoramento de conversas inorgânicas

Outro ponto-chave encontrado por Denicoli e sua equipe desde o período de campanha nas últimas eleições é presença dos chamados “bots” nas redes sociais. 

Os “bots” são contas usadas para aumentar o volume de postagem e guiar a narrativa de uma determinado candidato ou movimento político. Os perfis podem ser administrados por robôs ou serem contas de pessoas que cederam seu acesso para terceiros publicarem ou automatizarem postagens que favorecem determinado candidato ou movimento político. 

Segundo ele, os “bots” estão presentes nas narrativas de diversos atores em todo o espectro político. Para driblar este obstáculo a equipe da AP Exata, formularam a ideia de perfil de interferência que abrange diversas formas de perfis usados para fins de gerar volume e moldar narrativas de forma inorgânica. 

Os perfis são classificados a partir de cerca de 50 parâmetros identificados com técnicas de machine learning e entre eles o volume de postagens e o número de seguidores. Segundo a AP Exata, a interface oferecida por eles tem sido bastante assertiva quanto a satisfação da opinião pública em relação ao governo.

Assista a live completa para conferir como funciona a ferramenta de monitoramento da AP Exata e mais sobre o papo com Sergio Denicoli, acesse nosso canal do Youtube.

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