Slam das Minas: Uma rede de poesia e resistência

por Rosana Medeiros*

O monitoramento do Slam das Minas no Twitter, Facebook e Instagram não se traduz apenas em números. O eco de poesia de resistência das minas já pode ser ouvido em diversas regiões do país.

A rede de relações da página e as redes semânticas das postagens e comentários exibem um rastro de poesia, luta contra o machismo/racismo e homofobia, além da poetização e facilitação das pautas feministas e das mulheres da periferia.

O Slam das “minas, manas, monstras”

O Slam é uma linguagem artística que surgiu na década de 80, nos Estados Unidos como uma batalha de poesias ao microfone e junto com as culturas do grafite e do rap, ganhou coro nas periferias do mundo inteiro nas décadas seguintes. No Brasil, poesia e rap tem caminhado de mãos dadas desde 2008 nas rinhas de mc’s e slam’s. A partir de 2012, o país começou a participar da Campeonato Mundial, que acontece anualmente em Paris.

O Slam das Minas surgiu em 2015, em Brasília, e em 2016 ganhou novas vozes em São Paulo. A competição, onde as poetas recitam poesias autorais durante três minutos e são avaliadas por um júri popular com notas de 0 a 10, surgiu da necessidade das mulheres de enviar representantes para o campeonato nacional Slam BR e para a disputa mundial de poesia. O movimento ganhou diversas vozes e as rimas tem contribuído para a divulgação de diversas pautas feministas, através de seus desabafos poéticos contra o sistema patriarcal, afinal é mais fácil se identificar com uma história em forma de poesia do que com os difíceis termos em inglês das pautas feministas.

Nos gráficos acima, os 10 perfis que mais utilizam a hashtag #slamdasminas e os perfis mais citados.

 

A rede de poesia

A rede de relações da página Slam das Minas SP, maior entre as páginas do mesmo seguimento, tem ramificações entre os grandes nomes da poesia, luta contra o racismo e preconceito, poesia das periferias, poetas urbanos e diversos outros segmentos que tem contribuído para a democratização do acesso a produção poética.

Aproximando a rede encontramos páginas ligadas a produção poética como Poeta Sérgio Vaz, a rapper Tati Botelho, Poetas Ambulantes, a escritora Lâmia Brito, Nós, mulheres da periferia e as páginas das organizadoras e participantes do Slam das Minas SP, as poetas: Luz Ribeiro, Mel Duarte, Pam Araujo e Carol Peixoto, além de agitadores sociais e culturais como Não me Kahlo, Arquivos Feministas, TEDxSP e Acadêmicos do Baixo Augusta.

As palavras

Na busca, se destacam as palavras ligadas ao universo do slam das minas como: minas, monas, mulheres, poesia, negra, poesia marginal. Além de palavras de elogio entre as participantes como: parabéns, demais, foda e linda.

Entre as palavras que mais constam entre comentários e publicações da página, as palavras: Slam, Minas, SP, manas, poesia.

 

As minas dominando

No vídeo Slam das Minas – Seja heroína, Seja marginal, que tem 5.544 visualizações no youtube, as organizadoras do evento falam sobre lugar de fala, conceito que “representa a busca pelo fim da mediação: a pessoa que sofre preconceito fala por si, como protagonista da própria luta e movimento” (Nexo 2017) e sobre como o evento, que feito apenas por e para mulheres, acaba por se tornar um lugar de acolhimento onde as participantes podem se expôr sem nenhuma censura e ter voz.

Talvez por isso, o movimento consiga ter tanta capilaridade em todo o Brasil, verificamos que pessoas do Pará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Porto Alegre interagem com as publicações do perfil @slamdasminassp, no Instagram, com pico a região Sudeste e na Bahia. O destaque desse monitoramento é que o engajamento desses estados e bem forte, mesmo que distantes do pólo sudeste, o que mostra que o Slam conseguiu articular uma grande rede poesia em diversos estados.

*Rosana Medeiros é aluna de cursos IBPAD, graduada em publicidade e propaganda e cursa especialização em Marketing político e estratégia eleitoral. Escreve e acompanha assiduamente temas políticos, de gênero, inclusão e identidade brasileira, com atuação variada na área digital, incluindo conteúdo e estratégia.

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