Vamos falar sobre Business Intelligence?

por Roberta Cardoso*

O que é Business Intelligence?

O termo Business Intelligence (Inteligência de Negócios) contempla arquiteturas, ferramentas, bancos de dados, aplicações e metodologias (Raisinghani, 2004) que favorecem o acesso e a manipulação de dados pertinentes aos negócios. O processo tem como propósito transformar os dados em informações relevantes que nortearão melhores ações e decisões por parte das organizações.

Entre os serviços contemplados pelo guarda-chuva de BI podemos citar como exemplo o processamento analítico de dados, a mineração de dados, a análise web e também o desenvolvimento de painéis (dashboards) para o acompanhamento de desempenho dos indicadores de performance do negócio (Turban, 2009).

(Dashboard utilizado no IBPAD eixo Brasília)

Por que é relevante?

As pressões (fatores do ambiente de negócio) encontrados pelas empresas tornam o mercado cada vez mais complexo. Globalização, crescimento e aprofundamento das demandas e exigências do público consumidor, por exemplo, são fatores que tendem a tornar o cenário cada vez mais desafiador. Como resultado, as organizações passam a enxergar a necessidade de identificar e aproveitar oportunidades, atuando sobre desafios com agilidade e precisão.

É esperado que a ampliação do acesso às tecnologias e a popularização das ferramentas de inteligência de negócios estimule cada vez mais empresas a implementar e se beneficiar a partir das soluções de Business Intelligence.

Cabe ainda ressaltar que as ferramentas de BI podem gerar um importante diferencial competitivo e no modo como a empresa opera em seus níveis estratégicos, táticos e operacionais, favorecendo a otimização dos seus esforços.

FIGURA 1.1. Adaptação do Modelo de pressões – reações – suporte de negócios (Turban, 2009)

No livro “Business Intelligence: Um enfoque gerencial para a inteligência do negócio”, Turban (2009) traz alguns interessantes exemplos de aplicação de BI. A seguir, podemos ver dois deles:

  • O estado do Texas, nos Estados Unidos se utilizou da análise preditiva para aumentar a quantidade de auditorias realizadas. Ao armazenar milhões de registros no data warehouse e utilizando software baseado em mineração de dados da spss.com foi possível identificar milhares de empresas que não cumpriam suas obrigações fiscais. O resultado foi o favorecimento da seleção das corporações-alvo das auditorias, que resultou na economia anual de US$ 150 milhões;
  • A humanização e a personalização no atendimento médico são assuntos cada vez mais debatidos no setor da saúde. Pensando nisto, a Mayo Clinic, em parceria com a IBM, implementou um sistema de reconhecimento de padrões e mineração de dados no registro dos pacientes. Com isto, foi possível antecipar como os pacientes poderiam responder a determinados protocolos de tratamento. As descobertas têm, inclusive, ajudado a Mayo Clinic a compreender correlações entre as condições clínicas que provavelmente não seriam encontradas de outra forma

Formas comuns estrutura de Business Intelligence:

  • Modelo Descentralizado: como o nome já diz, neste modelo, cada departamento agrega, consome e lida com as demandas analíticas de forma individual;
  • Modelo Centrado em Competências: modelo colaborativo e cross-funcional, onde membros do time de BI possuem tarefas, processos e responsabilidades bem definidos para promover a efetividade da atuação. O papel mais importante desempenhado por este modelo é a facilitação do diálogo entre as várias culturas e setores que podem ser encontrados dentro de uma organização e a transferência de conhecimento;
  • Modelo Centralizado: quando todos os dados são armazenados e gerenciados em um departamento ou localização central, por questões de governança e/ou segurança. A unidade central cuida da integridade e da qualidade dos dados, reportando aos setores interessados posteriormente.

Para iniciar a implementação de uma área de Business Intelligence é preciso pensar também nos seguintes pilares:

a) Geração de Valor – que engloba o que concerne à Estrutura Organizacional (escopo, posicionamento, nível de direção, processos de governança) e às Pessoas (conhecimento de negócio, competências técnicas, cultura de alta performance) e;

b) Operação – contemplando os campos de Tecnologia/Infraestrutura (arquitetura, evolução sistemática, camadas por tipos de usuários, segurança da informação) e Processos (informacionais, KPIs de processos, metadados e dicionários).

É muito importante considerar também a evolução contínua para estas áreas de Estrutura, Pessoas, Tecnologias e Processos.

 

O que um profissional precisa para trabalhar com Business Intelligence?

A grosso modo, é esperado que um profissional que deseja atuar com Business Intelligence tenha conhecimento sobre o negócio e sobre o setor, além de visão estratégica e analítica.

É recomendável que o profissional também busque conhecimento em disciplinas referentes ao campo de Tecnologia da Informação, considerando Sistemas Gerenciadores de Bancos de Dados (SGBD) e plataformas de Data Warehouse.

Espera-se também sólido conhecimento em modelagem de dados e algum domínio em lógica de programação, para que seja possível realizar consultas a bancos de dados ou para elaborar e implementar modelos estatísticos, por exemplo.

Outro importante conhecimento requerido deste profissional é o de elaboração de produtos de visualização de dados como painéis, relatórios e apresentações.

*Roberta Cardoso é Estudante de Banco de Dados (com ênfase em Business Intelligence e Big Data) no Instituto Infinet. Analista de Dados e Inteligência Digital na Oral Sin Implantes Odontológicos, onde atua no desenvolvimento de soluções analíticas e de integração para o acompanhamento da performance de comunicação e mídia B2B e B2C. Roberta também entrevistou alguns profissionais da área para o Papos IBPAD.

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